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Economia

Juros altos são "pornografia econômica",

diz BNDES



O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico), Paulo Rabello de Castro, disse nesta quarta (4) considerar "improvável" a antecipação dos R$ 130 bilhões requeridos pelo governo em 2018. Segundo ele, o banco precisa de tempo para substituir suas fontes de financiamento. "A viúva [o governo] nem começou a gastar e já quer se equilibrar. O BNDES não tem tanto cheque assim", disse ele, em São Paulo. Rabello de Castro criticou o novo teto de gastos, os juros altos, que classificou de "pornografia econômica", e o grupo de economistas que apoiam a redução do tamanho do banco de fomento. "Queremos mais moralidade no Brasil? Comecemos pelos juros. Às vezes a imoralidade veste terno e gravata." Ao falar sobre o teto de gastos, disse que a rubrica "investimentos" deveria ser obrigatória no Orçamento e todas as demais, incluindo a "Previdência e o salário de desembargadores", contingentes. O discurso mais duro, no entanto, não estaria ligado à filiação ao PSC (Partido Social Cristão), anunciada na terça (3). "Sou candidato a fazer o melhor possível no BNDES". O economista disse que escolheu o PSC porque o partido "está mais perto de Jesus". PARABÉNS "Tem economistas da 'meia-entrada' que comemoram que o banco está encolhendo. Em breve, encolherá a ponto de não ser mais perceptível. Muito bem, parabéns", disse, em tom irônico. Ele se referiu ao termo usado pelos economistas Marcos Lisboa e Zeina Latif em crítica aos subsídios econômicos, como os juros mais baixos do BNDES, especialmente a grandes empresas. Nos últimos anos, foram emprestados cerca de R$ 500 bilhões ao BNDES, que antecipa o montante aos poucos. Além de R$ 50 bilhões a ser devolvido neste ano, o governo conta com R$ 130 bilhões em 2018 para cumprir a "regra de ouro", que impede que o governo se endivide para pagar despesas de custeio, como salários. Os recursos devolvidos evitariam que a regra fosse descumprida.

Fonte: FOLHAPRESS 05/10

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